sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Respeito, palavra chave!


Numa sociedade machista como a nossa falar de problemas certamente não envolve atos, gestos, piadinhas ou até palavrões oriundos de homem quando esses ressaltam a sua masculinidade. Creio que este seja um problema bastante incômodo, ao menos para uma boa parte das mulheres que prezam a sua integridade e mesmo sendo ridículo, o fato é que muitos homens indecentes olham descaradamente para as bundas femininas.
Em seus pensamentos devem ter a idéia fixa de que todas as mulheres gostam de ser “comidas” com os olhos, tendo isso como normal “coisa de homem”. Gestos com as mãos insinuando pornografias, ou aquela coçadinha nas partes baixas quando ver uma mulher passando, piadinhas sobre o tamanho dos seios, das nádegas, ou o que eles poderiam fazer com seus respectivos órgãos reprodutivos. Isso demonstra claramente a falta de respeito para com as mulheres.
A observação desses fatos foi o tema de um trabalho do meu 1° semestre, fizemos um vídeo para captar as olhadas maliciosas que os homens para as bundas femininas e levamos uma modelo pra os principais shoppings de Salvador, o incrível é que conseguimos que todos os homens (sem exceção) olhassem para ela, até mesmo os que estavam acompanhados, com suas namoradas, com os filhos ou netos, ainda assim olhavam e suas acompanhantes quando percebiam o que havia acontecido muitas vezes viravam o rosto para fingirem que não tinham percebido.
“Mulheres Perfeitas”, um filme com direção de Frank Oz e roteiro de Ira Levin (livro), Paul Rudnick, conta a história de Joanna Eberhard (Nicole Kidman), uma publicitária de sucesso no mundo dos realities shows, e depois de ser demitida pela empresa onde trabalhava seu marido resolve levá-la para morar em um condomínio fechado, com acesso apenas para ricos, Stepford “o lugar perfeito”.
E o que desperta a curiosidade de Joanna é o fato de todas as mulheres do local obedecerem cegamente aos seus maridos, sem opinião, sem reclamar, simplesmente obedecem, e as duas únicas pessoas que pareciam normais por ali: Bobbie Markowitz (Bette Midler), uma escritora relaxada e Roger Bannister (Roger Bart), um homossexual famoso em busca de seu espaço, passam a se comportar como as mulheres de Stepford então Joanna começa uma busca pelo que há de errado naquele lugar. O filme é uma comédia, mas consegue fazer com que a gente visualize corretamente o que é uma mulher perfeita para um homem.
A mulher não deve servir de objeto sexual, dona de casa ou mãe de família, esse certamente não é o papel da mulher na sociedade, nós temos sentimentos, personalidade, poder de escolha, e merecemos respeito! Essa é a palavra chave para consertar as agressões psicológicas que sofremos diariamente.
Certa vez eu estava no ônibus sentada, próximo a dois homens, o cobrador e um passageiro, em minha frente, que já estava quase dormindo. Quando passou uma mulher morena, alta, bonita, cabelos pretos e lisos, o cobrador esperou ela passar, fingindo que estava contando o dinheiro, quando ela terminou de passar, ele olhou direto para bunda dela, ao perceber que eu estava assistindo a cena ele ficou envergonhado voltou a contar o dinheiro, um pouco nervoso. O passageiro que estava em minha frente de repente despertou para observar a mulher. Ao perceber que eu o observava ele simplesmente me ignorou e voltou a olhar.
Detalhes do rosto, cabelo, roupa ou idade, tenho certeza que nenhum dos dois saberia dizer se fosse interpelado, é como se não fosse uma mulher com sentimentos, vontade, identidade, apenas uma fonte de deseja sexual a circular. Senti-me constrangida por ela.
Ao aproximar-me do local onde eu ficaria, solicitei a parada e aguardei em meu assento, quando o ônibus parou coloquei minha bolsa para trás, protegendo minha retaguarda e saí correndo até a porta. Quase caí, mas consegui me livrar dos maus olhares.


Autor: Andréa Freitas

sábado, 8 de novembro de 2008

Qual a melhor religião?




A maioria das religiões traz em seus preceitos a caridade e o respeito ao próximo, mas o que muitas vezes esquecem de perceber é que o próximo não é apenas aquele que está junto, cultuando, mas sim todos os que estão ao seu redor.
Se por acaso alguém perguntasse, qual a melhor religião, certamente responderiam: a minha! E a explicação seria de acordo com o seu ponto de vista, não levando em consideração o que o outro pensa ou quer. Nisso, onde está o respeito? Não tem como comparar uma religião com a outra, pois elas são diferentes, seria preconceituoso e discriminatório se julgássemos a religião do outro a partir de uma visão própria.
A falta de tolerância religiosa, o preconceito, vem no decorrer dos anos ocasionando muitos conflitos, nações contra nações ou até mesmo pessoas contra pessoas. Há muitos relatos de torturas e mortes, na época em que os portugueses vieram para o Brasil, quando os portugueses forçaram os índios a serem catequizados, na Segunda Guerra Mundial, quando Adolf Hitler massacrou os judeus, e em inúmeros casos.
No mundo, atualmente, há uma grande diversidade de religiões, e basicamente todas são compostas pelos mesmos elementos construtivos: “doutrina [crença, dogma]. Doutrina sobre a origem de tudo, sobre a matéria, sobre o além, para as religiões primitivas [animismo, fetichismo, politeísmo] há uma fonte que é a tradição dos antepassados. Para as atitudes filosóficas, a fonte é a palavra de sábios iluminados [hinduismo, budismo, xintoísmo, confucionismo, taoísmo]. Para as religiões proféticas [judaísmo, cristianismo, de Deus que se releva pelos profetas; rito [cerimônia], através dele a comunidade se une. O homem não pode viver sem símbolos, sem rito, sem estruturas visíveis; ética [leis], logicamente cada religião traz consigo as conseqüências da sua doutrina, ensinando o que está certo e errado, dentro de sua cosmovisão. Pouco a pouco vão se destacando, no emaranhado de preceitos das religiões. As verdadeiramente importantes: a lei do amor, a lei da natureza e a lei do bom senso; comunidade, a religião tende a forma comunidade. Quem está convencido de uma crença sente-se irresistivelmente atraído para seus coirmãos quer manifestar a sua fé junto com eles. Estes aspectos impedem que o sentimento religioso se dissolva em sentimentalismo individualista e incoerente. Sem isso a religião torna-se incomunicável e arbitrária, uma prisão em vez de um caminho; eu-tu, toda religião inclui uma atitude de eu-tu, um relacionamento pessoal.Religião não é em primeiro lugar doutrina, rito, lei, mas a relação pessoal com Deus. Quando esta existe as dificuldades doutrinais, rituais e morais desaparecem “(WILGES, Irineu. Cultura religiosa: as religiões no mundo. Editora: Vozes)”.
Sendo assim é certo afirmar que uma religião é melhor que a outra, tendo em vista que todas partem das mesmas normas? Não, de maneira alguma.De acordo com Irineu Wilges, religião em sentido real e objetivo, é o conjunto de crenças, leis e ritos que visam um poder que o homem, atualmente, considera supremo, do qual pode se julga dependente, com o qual pode em relação e do qual pode obter favores. E em sentido real subjetivo, religião é o reconhecimento pelo homem de sua dependência de um ser supremo pessoal pela aceitação de várias crenças e observância de várias leis e ritos atinentes a este ser.
Em resumo, temos inúmeras religiões com as mesmas regras de proceder onde o homem estabelece entre ele e um outro uma relação direta e reconhece que depende de alguém ou de alguma coisa para se completar. E é exatamente nisso que devemos nos basear, na igualdade, na intenção de ser melhor.
Pablo Neruda, autor de: “Livro das perguntas”, elabora a seguinte questão: “Quantas igrejas tem o céu?”
Quem de fato sabe onde se encontra a verdade absoluta? Quem de nós possui respostas perfeitas?



Autor: Andréa Freitas